21nov

Karin Moraes o perfeccionismo como paleta

Nascida em Porto Alegre, filha de pais alemães, a virginiana Karin Moraes desde o início da nossa entrevista nos brinda com momentos instigantes e reviravoltas emocionantes. Extremamente influenciada pelo avô, um dos apoiadores com a doação das lunetas de sua propriedade ao Planetário de Porto Alegre, tinha como paixão a Astronomia e estava decidida a seguir esse caminho. Queria – “trabalhar com as estrelas”.

Porém, na época, o estudo dos astros estava restrito a uma matéria do curso de física e assim seu futuro ficou a vagar num cosmos de possibilidades. Isso até que num determinado dia, viu seu vizinho chegar da faculdade no início das aulas com um belo chapéu. Encantada pela peça, pensou – “Vou me formar no curso desse chapéu”. Esse curso era arquitetura. Sua decisão, no mínimo inusitada, acabou por ganhar o apoio do tio, talentoso arquiteto e grande influenciador da sobrinha.

Formada, passou a atuar em instituições públicas emblemáticas no período de expansão do país como o GERM (Grupo Executivo da Região Metropolitana), a COHAB e o BNH. Nessa tra- jetória, trabalhou no Plano Diretor de diversos municípios, viu e vivenciou a realidade de uma população carente e aprendeu muito nesse universo. Em 1987, terminava a era da Instituição BNH, quando passou a trabalhar na engenharia da CEF e em 1995, para Karin iniciava o seu novo momento profissional com a abertura do seu escritório.

Após realizar o projeto de um consultório, o resultado gerou imediatamente o convite para a realização do hall de entrada do Hospital Mãe de Deus. E assim, ela ingressa numa carreira com diversos trabalhos para a área médica, sendo o seu último e recente projeto no setor o da nova Maternidade do Hospital Moinhos de Vento.

Apaixonada pelo seu ofício, Karin fala de muitas referências, mas cita um nome em particular – Frank Lloyd Wright. Entre suas muitas obras está o belo Museu Guggenheim de New York. Falando sobre o arquiteto, Karin ressalta a similaridade conceitual que possui com Frank: “a busca é única, pela harmonia plena”.

Entre seus muitos talentos e hobbys que extrapolam a arquitetura está o tênis – chegando a campeã Brasileira e no campeonato sul-americano integrou a equipe que ficou em terceiro lugar– a leitura, participante de um Clube de Leitura, e o gosto por cozinhar, mas pontuou – “doce não, mas salgados cozinho muito bem”. Aproveitando sua relação com os livros, Karin nos brinda com duas excelentes dicas. A primeira é Quando Nietzsche Chorou, de Irvin Yalom, e reforçando que toda mulher deve ler, também indicou Paula de Isabela Allende.

Quando questionada por suas preferências no mundo da arquitetura foi rápida e objetiva: adora o modernismo, o contemporâneo. Leveza, refinamento, minimalismo estão com tudo. Quanto a cores, se definiu uma pessoa colorida, e confidenciou uma leve predileção pelo azul-marinho, tendo a sala de sua casa e a porta de entrada nessa paleta. Sobre a decoração de seu lar doce lar, Karin explicou que gosta de ambientes com certa perenidade, mas adora jogar com flores para trazer novidade constante, as suas preferidas são as orquídeas.

Embarcando nas experiências de Karin pelo mundo, ela se assume apaixonada pela arquitetura Dinamarquesa.

No mundo das artes, Karin nos apresentou três talentosos artistas gaúchos – Heloisa Crocco, Sérgio Lopes e Antonio Soriano – fica a dica. Pesquise, conheça e se encante.

Para finalizar, vamos aos nossos desafios. Como peça artística para ter em casa, Karin escolheu uma tela de Pablo Picasso, às vezes Van Gogh para colocar em hall de entrada. Se preocupou em ter um ambiente exclusivo para estas obras, devido a sua magnitude. E mais, pontuou que escolheu um estilo antagônico ao seu, coisa de artista cabeça aberta. Mas ressaltou, com uma excelente iluminação, pois luminotécnico atualmente é extremamente importante. Quando questionada sobre os desafios arquitetônicos da cidade, Karin iniciou comentando como a en- trada de Porto Alegre, via aeroporto – Av. Farrapos, Av. Sertório e outras – estão deixadas de lado. Comentou de sua experiência na cidade americana de Naples, onde as ruas – devido seus belos jardins – abraçam o visitante. E assim, Karin sugere uma revitalização em toda a região numa forma de dar boas-vindas a todos que chegam a Porto Alegre. De certa forma, Karin volta as suas origens como planejadora de municípios e nos brinda com uma bela ideia para a nossa capital.

E assim, nosso passeio pela carreira, arte e talento de Karin Moraes chega ao fim, mas as influências do seu conhecimento vão seguir em nossos corações e mentes.

Karin Morais

SOBRE O AUTOR

Karin Morais
A frente do escritório que leva o seu nome, a arquiteta Karin Moraes acredita que o arquiteto é destinado a desenhar espaços que ativem as emoções. São através deste pensamento que ela se dedica a desenvolver projetos de arquitetura de interiores residenciais urbanos, praianos e serranos, espaços na área da saúde e espaços comerciais, desenvolvendo também residências unifamiliares.

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